
Deixo o obturador aberto sobre a paisagem noturna, com intervenção mínima, e o que a câmera registra é o tempo que passou dentro dela.
É o polo contemplativo do meu trabalho. Paisagem noturna e céu aberto, com intervenção mínima: a luz acrescenta pouco e revela o que já estava. O obturador fica aberto e o que a câmera registra não é uma cena, é o tempo que passou dentro dela.
Os títulos dizem para onde o olho estava voltado: Firmamento, Via Láctea, Rastro de Estrelas, Lua Nascente. Quando a luz entra, entra pouco. Numa árvore sozinha no escuro de um sítio, a lanterna voou presa a um drone em volta da copa, e a árvore virou tudo o que existe no quadro. Numa praia deserta, uma única linha verde risca a areia, com a cidade brilhando ao longe, recortada pelos coqueiros.
A obra mais antiga do portfólio está aqui: Refúgio, de 2009, o ano em que comecei a desenhar com luz. A série reúne 10 obras, de 2009 a 2024.









