
Giro a luz em volta de um eixo e, no tempo da exposição aberta, o círculo se fecha no escuro, como quem abre uma passagem.
Giro a luz em volta de um eixo e, no tempo da exposição aberta, o círculo se fecha no escuro. Anéis, esferas, túneis e cúpulas nascem de um gesto repetido à mão, como quem abre uma passagem. São formas que não existem no mundo e que, na fotografia, ganham peso, volume e superfície.
Nenhuma delas foi feita em estúdio. Desenho esses círculos na praia, entre as árvores, numa estradinha entre plantações, dentro de uma oca. Altar nasceu numa oca em Piracanga, em volta de uma fogueira de verdade, e a luz entrou ali como entra um convidado. O lugar continua visível, e a luz que eu construo precisa conviver com a que já estava ali. Muitas vezes há alguém no centro do halo, parado durante toda a exposição.
Tudo acontece numa única exposição, sem montagem digital. O círculo que se vê é a soma do tempo em que o obturador ficou aberto. A série reúne 35 obras, de 2014 a 2023.


































