
Desenho no escuro presenças que não estavam ali, e que duram só o tempo do obturador aberto.
Desenho no escuro presenças que não estavam ali: asas, criaturas, figuras que duram o tempo do obturador aberto e depois somem. Às vezes há um corpo dentro do desenho, às vezes só o rastro que ele deixou. São os seres que a noite me deixa ver por alguns segundos.
Os nomes das obras dizem o que apareceu no escuro: Asas, Crisálida, Fênix, Guardião, Mensageira. Em Aparição, desenhei na floresta uma figura que sobe em luz azul-ciano, apoiada numa base de luz branca, como um gênio noturno se anunciando. Em Ritual, dentro de uma oca redonda, com a fogueira no centro, a luz em azul e magenta fez do espaço um cenário de ficção, sem apagar o lugar, que continua ali na imagem.
A forma chega com o gesto e não fica depois dele. A fotografia guarda o instante em que ela apareceu, numa única exposição, sem montagem digital. A série reúne 26 obras, de 2016 a 2023.

























