
Escrevo com a luz como quem escreve à mão, e o que fica na imagem é o caminho inteiro que a mão percorreu.
Escrevo com a luz como quem escreve à mão: linha, caligrafia, gesto. Lanterna, fagulha e lã de aço duram segundos; a longa exposição transforma esse movimento em desenho permanente. O que fica na imagem é o caminho inteiro que a mão percorreu.
Em 2014 desenhei caligrafias sobre fundo preto, sem cenário e sem pessoa, e ali o gesto virou o próprio assunto. Nem sempre o fundo é escuro e vazio. Em Passarela, girei um bastão de LED numa estrada de areia em Piracanga, e ele deixou um caminho dourado no chão. Em Caligrafia, inverti o gesto: a luz ficou fixa e eu movimentei a câmera, e quem escreveu foi ela. Em Linha, um único traço de luz branca corta o horizonte e revela a textura de uma pedra.
Todas foram feitas numa única exposição, sem montagem digital. A série reúne 25 obras, de 2012 a 2023.
























